sábado, 5 de setembro de 2020

JÁ FAZ UM TEMPINHO

 Uma crônica minha escrita no mês de agosto.

JÁ FAZ UM TEMPINHO

Mas está louco. Triste. Eu não consigo acreditar nesses cinco meses arrastados. Numa casa enorme. À espera de boas notícias pra eu me inteirar melhor.

Respirar esperanças, daquelas que me levem ao um país diferente. Com um líder de verdade. Que nada, querida, você, eu, tu, elas e eles estão no quinto mês de escassez. Escassez de vidas, pessoas espionando no lugar de aquietar – se. Talvez um pouco de quietude seja o diferencial.

Hoje não tem praia.  Não tem aula. Não tem galera nos botecos. Não tem geral gritando no show de pagode, de rock, de rap, de Chico, de Caetano, de Teresa. Ora bolas, eu até imagino verdades em partes disso tudo. Mas... O povo é dividido: Uma parte tá em casa, outra tá no mar curtindo o sol, escolas reabrindo, uma porrada de gente sem máscaras caminhando pra lá e pra cá.

E eu? Convivendo dia a dia com esse novo mundo, velho mundo, vasto mundo, já nem sei mais o significado desse viver.

Minhas rotinas tomam porres de café, de tantas coisas. A vacina não chega o remédio certo não chega. Por favor, cloroquina não!

Não cura COVID, não cura a estupidez do presidente.

Quarentena, companheira de todas as horas, chega aqui, me abraça. A gente vai se entendendo. Apesar de tudo. Com pesares pelas cento e cinco mil mortes. Por enquanto. Não sabemos até quando haverá tanta dor.

Eu choro calada abraçada comigo.

Já faz um tempinho.

Sandra Modesto

sábado, 29 de agosto de 2020

Ruas Nuas > > Site da Revista Cult

 




Ruas Nuas

Sandra Modesto

A mulher caminha dentro de si. Há sempre um espaço que a incomoda. Mas nada adianta. Olhar as próprias ruas cerceadas na casa. Só, a mulher buscando os beijos separados diante do novo cenário. Os abraços ainda fomentados por lembranças do último momento, quando tudo era tão físico.

Chora, senta, liga o celular, as brechas da paixão estateladas. Agora o amor arde, pede passagem, e nada pode. Não pode o encontro, não pode rasgar o mundo em sonhos Apenas ensaiar a música que cantaram no bar onde tudo começou.

Às vezes a solidão faz companhia. Hoje teve chamada de vídeo. De longe os sentimentos se embaraçam, dúvidas, estranhezas, o amor é utópico, o amor é insensatez. Ninguém é capaz de amar do mesmo jeito.

Ela joga a calcinha nova numa gaveta e busca a chave. Quis uma trepada boa antes de março, não deu. Foi preciso buscar um novo olhar para aquele amor que há meses, dilacera muitas vontades procurando silêncios e respostas.

E se...

Se ele viesse com máscara, só pra dizer que depois do fim da clausura, os orgasmos, a fluidez dos beijos... Gemidos e lambidas voltariam?

Por acaso o porteiro trouxe uma encomenda. Uma carta de amor. Há tempos não lia uma carta de amor tão ridícula, escrita à mão?

Ela pega. Dança pela sala, joga perfume nos cabelos, toma o vinho tinto, lê aos berros:

“Nossos sonhos ávidos ainda serão reais”

 A partir daquele momento a solidão virou um quadro desenhado ao vivo.

A mulher nua na nova rua

 Lambuza-se e acaricia partes do corpo. Fecha a porta do quarto.

Enquanto o amor rola embriagado matando saudades.

https://revistacult.uol.com.br/home/ruas-nuas/

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Declame para Drummond

 Compartilho com vocês:

Fui autora selecionada no projeto 

DECLAME PARA DRUMMOND 2020.

https://www.instagram.com/p/CEKxJVcloDJ/?igshid=18qqh91jvmk60

Será Online por vídeo poema na pág do Instagram. @declameparadrummond

#poesia

#Drummond

Beijos 😘


domingo, 16 de agosto de 2020

Petiscos de Domingo



 

Degustar de palavras.

A última vez que nos falamos foi no começo de junho.
Não, em julho eu mostrei o anteprojeto do livro.
Aí, dei um tempo.
Mas voltei! E domingo é dia de leveza. Textos curtos, pitorescos, como se estivéssemos bem perto. Entrem aqui...

A estante morava lá fora. Estava triste. Velha e de madeira.
Parei, e só, via a ocupação histórica, ela é herança. Há anos no abandono. De doer o coração. Mas exclamei que ela precisava sair do quarto onde nem o Chico gostava.
Gente, ela virou uma lindeza.
Meu marido tirou a poeira, envernizou, ele e meu filho carregaram a danada para minha área de serviço. Que tem uma mesa de pedra, a máquina de lavar, uma rede que não é virtual. É lá que eu tomo sol, leio. E balanço feito criança.

Com a estante no novo espaço rolou uma criatividade. A ração do Chico, os livros de matemática, os produtos de limpeza, no lugarzinho. Com plantinhas e porta retrato também.

A estante agora faz parte do presente. Tem cheiro de vida.
Virou crônica.  Casa tem alma. É o centro da história. O mundo agora é a casa.

Bom domingo!

Sandra Modesto

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

RUA DOCE MISTÉRIO >> Sandra Modesto

  RUA DOCE MISTÉRIO Conheci Edgar numa noite estapafúrdia Ele sequer imaginava que eu, aos dezessete anos, fazia licenças poéticas Vár...