Minha crônica de hoje. Link abaixo:
http://www.cronicadodia.com.br/2020/09/arrasta-me-sandra-modesto.html
Blog pessoal. Conteúdo literário com textos da autora e escritores de sua preferência. Dicas de livros, músicas, vídeos, projetos culturais. Resumindo: "Aqui tudo é arte"
Uma crônica minha escrita no mês de agosto.
JÁ
FAZ UM TEMPINHO
Mas está louco. Triste.
Eu não consigo acreditar nesses cinco meses arrastados. Numa casa enorme. À
espera de boas notícias pra eu me inteirar melhor.
Respirar esperanças, daquelas
que me levem ao um país diferente. Com um líder de verdade. Que nada, querida,
você, eu, tu, elas e eles estão no quinto mês de escassez. Escassez de vidas,
pessoas espionando no lugar de aquietar – se. Talvez um pouco de quietude seja
o diferencial.
Hoje não tem praia. Não tem aula. Não tem galera nos botecos. Não
tem geral gritando no show de pagode, de rock, de rap, de Chico, de Caetano, de
Teresa. Ora bolas, eu até imagino verdades em partes disso tudo. Mas... O povo é
dividido: Uma parte tá em casa, outra tá no mar curtindo o sol, escolas
reabrindo, uma porrada de gente sem máscaras caminhando pra lá e pra cá.
E eu? Convivendo dia a
dia com esse novo mundo, velho mundo, vasto mundo, já nem sei mais o
significado desse viver.
Minhas rotinas tomam
porres de café, de tantas coisas. A vacina não chega o remédio certo não chega.
Por favor, cloroquina não!
Não cura COVID, não
cura a estupidez do presidente.
Quarentena, companheira
de todas as horas, chega aqui, me abraça. A gente vai se entendendo. Apesar de
tudo. Com pesares pelas cento e cinco mil mortes. Por enquanto. Não sabemos até
quando haverá tanta dor.
Eu choro calada
abraçada comigo.
Já faz um tempinho.
Ruas
Nuas
Sandra Modesto
A
mulher caminha dentro de si. Há sempre um espaço que a incomoda. Mas nada
adianta. Olhar as próprias ruas cerceadas na casa. Só, a mulher buscando os
beijos separados diante do novo cenário. Os abraços ainda fomentados por
lembranças do último momento, quando tudo era tão físico.
Chora,
senta, liga o celular, as brechas da paixão estateladas. Agora o amor arde,
pede passagem, e nada pode. Não pode o encontro, não pode rasgar o mundo em
sonhos Apenas ensaiar a música que cantaram no bar onde tudo começou.
Às
vezes a solidão faz companhia. Hoje teve chamada de vídeo. De longe os
sentimentos se embaraçam, dúvidas, estranhezas, o amor é utópico, o amor é
insensatez. Ninguém é capaz de amar do mesmo jeito.
Ela
joga a calcinha nova numa gaveta e busca a chave. Quis uma trepada boa antes de
março, não deu. Foi preciso buscar um novo olhar para aquele amor que há meses,
dilacera muitas vontades procurando silêncios e respostas.
E
se...
Se
ele viesse com máscara, só pra dizer que depois do fim da clausura, os
orgasmos, a fluidez dos beijos... Gemidos e lambidas voltariam?
Por
acaso o porteiro trouxe uma encomenda. Uma carta de amor. Há tempos não lia uma
carta de amor tão ridícula, escrita à mão?
Ela
pega. Dança pela sala, joga perfume nos cabelos, toma o vinho tinto, lê aos
berros:
“Nossos
sonhos ávidos ainda serão reais”
A partir daquele momento a solidão virou um
quadro desenhado ao vivo.
A
mulher nua na nova rua
Lambuza-se e acaricia partes do corpo. Fecha a
porta do quarto.
Enquanto
o amor rola embriagado matando saudades.
Fui autora selecionada no projeto
DECLAME PARA DRUMMOND 2020.
https://www.instagram.com/p/CEKxJVcloDJ/?igshid=18qqh91jvmk60
Será Online por vídeo poema na pág do Instagram. @declameparadrummond
#poesia
#Drummond
Beijos 😘
Degustar de palavras.
A última vez que nos
falamos foi no começo de junho.
Não, em julho eu mostrei o anteprojeto do livro.
Aí, dei um tempo.
Mas voltei! E domingo é dia de leveza. Textos
curtos, pitorescos, como se estivéssemos bem perto. Entrem aqui...
A estante morava lá
fora. Estava triste. Velha e de madeira.
Parei, e só, via a ocupação histórica, ela é
herança. Há anos no abandono. De doer o coração. Mas exclamei que ela precisava
sair do quarto onde nem o Chico gostava.
Gente, ela virou uma lindeza.
Meu marido tirou a poeira, envernizou, ele e meu
filho carregaram a danada para minha área de serviço. Que tem uma mesa de
pedra, a máquina de lavar, uma rede que não é virtual. É lá que eu tomo sol, leio.
E balanço feito criança.
Com a estante no novo
espaço rolou uma criatividade. A ração do Chico, os livros de matemática, os
produtos de limpeza, no lugarzinho. Com plantinhas e porta retrato também.
A estante agora faz
parte do presente. Tem cheiro de vida.
Virou crônica.
Casa tem alma. É o centro da história. O mundo agora é a casa.
Bom domingo!
Sandra Modesto
Olá, pra não pirar, eu invento umas loucuras. Quero compartilhar com vocês, meu áudio declamando meu poema.
Link:
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