RUA DOCE MISTÉRIO
Conheci Edgar
numa noite estapafúrdia
Ele sequer
imaginava que eu, aos dezessete anos, fazia licenças poéticas
Várias, muitas
vezes sem a menor intenção de usá-las
Mas naquele
momento pedi ajuda a qualquer poeta.
Uma confusão boa
Não muito boa
Mas... Boa,
tombava todo o meu corpo.
Edgar me pegou
pelas mãos. Depois olhou um trecho do caminho a ser percorrido.
E num abraço
caudaloso; o beijo com gosto de café sem açucar.
Acaso
é este encontro
Entre o tempo e o espaço
Mais do que um sonho que eu conto
Ou mais um poema que eu faço?
Se Leminski
fosse vivo, talvez dissesse que, sim.
A rua esdrúxula,
o acaso inexplicável entre o beijo, o abraço e a vida.
Nada é tão
importante quanto tudo. Porque dizer “Tudo bem” é uma safadeza.
Voltemos ao
Edgar. O moço garboso e bem disposto a continuar pelo caminho.
Minhas pernas
davam sinais de cansaço. Ele não se importava. A lua apontando a escuridão
A cidade crua de
amor
E eu? Gritei.
Mas o amor não veio.
Virei notícia de
jornal.
Mais uma. Deixei
as palavras bonitas, troquei-as por saudades.