Confira meu conto publicado na Revista Mirada.
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Blog pessoal. Conteúdo literário com textos da autora e escritores de sua preferência. Dicas de livros, músicas, vídeos, projetos culturais. Resumindo: "Aqui tudo é arte"
O que é prosa? O
caderno caiu no chão da cozinha. Ela teve preguiça diante da cena por tanto
amor. Que agora, esfria e acende. Rima e se faz num sábado.
Pegou o ônibus no
espaço de sempre.
Acenou pra o
motorista. Há trinta anos o percurso contínuo, olhos e ouvidos atentos às
conversas. Renderiam crônicas. Encontros.
Queria uma prosa
boa, uma história quente, não sabia na verdade, se queria uma trepada ou sexo
com amor. Ah, naqueles tempos em que nada impedia uma paixão que fervia por
todos os poros, no carro, no canto do amanhecer, a gente tinha, 20, 30 anos.
Aos sessenta anos... Bem, depois disso, no colchão macio é uma boa pedida.
Prosa é a conversa
de todos os dias. É o abraço no cotidiano. Um livro de crônicas requer um olhar
apurado, ao mesmo tempo, é um gênero merecedor de prêmios. Por isso, eu adquiri
vários títulos clássicos e contemporâneos escritos por mulheres.
O cantor Gilberto
Gil disse um dia desses: “É preciso acabar com essa história de achar que a
cultura é uma coisa extraordinária. Cultura é ordinária!”.
Escrevendo este
texto ouvindo Drão perguntei:
“Cadê aquele seu
poema?” (Sim, foi uma mensagem no Watsapp.).
Qual poema? Tem
mais de um? Tenho.
Onde estão?
Não sei.
Eu me lembro de uma
pasta que eu fiz no computador, pra ele. Procurei.
“Entre minhas mãos tu
escapas como se não existisse amor
Sob a retina de meus olhos vejo-te dobrar a esquina
Não sei se voltarás de um deserto ou de um oceano.
Se ainda frágil ou mais madura.
Ao som dos meus quase risos quase lágrimas
Ouço teus passos todas às vezes mais silenciosos
Não sei se te ouvirei, meio a melodia dos teus
beijos
tua boca a dizer "Te amo".
Amar é assim um desassossego”.
Lahus
Pra quem
ele escreveu, eu não sei. Mas é foda!
O dia parecia um convite ao amor.
Era “domingo”. O
domingo de Clarissa. O dia dela e de João.
Clarissa gostava
muito de João. Do abraço apertado de João, do beijo louco!
Um amor nutrindo
– os vigorosos que fazia- os chorar de dar risadas.
Por causa dele,
os detalhes extasiariam o domingo. E isto estava bem estampado em olhares,
sensações, vibrações.
Os domingos
esperados sempre ficavam distantes de um dia normal, casual, certeiro. Ah! João e Clarissa viveriam o imaginado. Sonhado
por eles desde que se conheceram. Clarissa sentia que o simples querer em ver
João. Era um querer. Um baita querer.
Foi então, que
se olhou no espelho. E percebeu...
“Deslumbrante”
Disse Clarissa à sua própria imagem. O
vestido azul de domingo,
(Azul, dum azul do
céu, do lápis de cor) feito à mão, destacando-lhe os seios empinados. O resto
só João podia tão bem descrever!
Nos cabelos escuros,
Clarissa prendia um rabo de cavalo só para João desprender, para antes de
desprender roçar - lhe a nuca e enfiar os dedos longos suavemente e
despenteá-los. Em frações de segundos os dois estavam hipnotizados. Do jeito
deles. Criando um ninho peculiar, uma mistura de amor e motivos de segredos.
É que na
verdade, só de pensar o domingo sem João, Clarissa perdia o enredo escrito de
um dia encantado, os momentos silenciosos nos olhares, o avançar da pretensão
do amor.
Tudo ficou tão
mais bonito quando João apontou na rua. Clarissa ficou ansiosa. Uma
Ansiedade desenhada
em cores e paixão. O coração marcado por devaneios...
Naquele domingo,
como de costume, João almoça na casa da amada. E no findar da tarde...
A família
reunida envolvida com a rotina do domingo, já tinha contado piada, tomado
cerveja, ido à igreja. Clarissa e João saem para um passeio...
No caminho; Um
afago, beijos, pele, almas.
João conta seus
planos; Um casamento eterno. Seu sonho maior: Ter filhos parecidos com Clarissa.
No quadro vivo
do passeio, o verão insistia em fazer parte.
Chegam a um
lugar de muito verde.
Unindo-se ao
verde, um rio com uma água muito cristalina.
De repente, uma
chuva... A água morna do tempo quente coloca à mostra o vestido grudado ao
corpo de Clarissa. João a abraçou com ternura e vontade. E os dois, se amam no
domingo. Ali, debaixo da chuva. A história aconteceu nos anos setenta. Clarissa não existe mais. Foi tragada pelo
tempo. João perdeu – se no rabisco qualquer.
RUA DOCE MISTÉRIO Conheci Edgar numa noite estapafúrdia Ele sequer imaginava que eu, aos dezessete anos, fazia licenças poéticas Vár...